RPG: do inglês Role Playing
Game, que em tradução mais que livre significa: jogo de interpretação de
papéis, como em um teatro, só que narrando histórias em uma mesa. E isso é a
tradução também de: a realização de um sonho! Graças a Deus e através da Secretaria
de Educação e Cultura de Carlópolis, fui convidado pela Secretária Glaucia
Cabral, para assumir a missão de contar histórias em uma oficina oferecida a
todas as escolas municipais, por indicação do diretor do turismo: Felipe
Coelho, que conhece meu trabalho com o RPG de longa data, desde 2001 na
verdade, quando começamos a jogar RPG de mesa na casa de minha falecida avó
Mouse, que mesmo em meio a agitada atividade de seus dez filhos e dezenas de
netos, nos permitia jogar na principal mesa da casa, o melhor jogo do mundo:
Dungeons & Dragons 3º edição. Porém antes 3D&T. E antes First Quest. E
antes Hero Quest. E antes Aventuras Fantásticas, todos eles jogos de tabuleiro
e RPG.
De lá pra cá, eu: Eryck Diegho
Salles, ainda narro à mesma campanha em um cenário particular, desenvolvido
especialmente para rolar essas histórias inesquecíveis. Porém nos últimos
quatro anos, em termos de RPG, decidi parar de carregar um monte de livros para
jogar e busquei uma coisa mais leve, mais rápida e junto com isso e outros
planos, nascia a INDIE como uma editora também, processo o qual nos levou a
quase quebrar, mas ainda estamos de pé e bem fortes. Então após muita pesquisa
e prototipagem de projetos digitais e analógicos, milhares de páginas escrita e
mais de quatro anos, descobri o movimento OSR: Old School Renaissance ou
Revival, ou Revolution, que em tradução mais que livre seria: a Renascença da
Velha Escola, ou Revolução, enfim, tem platôs demais significando tal sigla,
porém a verdade é que a ideia é criar jogos utilizando o chassi do game de RPG
mais famoso do mundo e emular essa experiência o mais próximo possível.
Como eu até hoje sou o narrador
da mesma campanha, decidi criar uma versão repleta de pedaços de jogos
diferentes para compor o chassi de meu jogo, unindo tudo que mais gosto entre
RPG’s orientais e ocidentais. A ideia do movimento OSR é trazer de volta o
estilo antigo de jogar RPG, porém no meu caso é continuar do território
daqueles que decidiram não comprar nem a quarta edição nem Pathfinder, pois eu
já estava bem complicado com minhas criações e as regras da casa e buscava
desde sempre produzir minha versão do sistema com a OGL.
Para assumir o ofício de contar
histórias nesta Oficina, decidi utilizar a ferramenta mais poderosa do mundo
para isso: o RPG. Não qualquer um, mas sim compor um jogo sob a licença OGL,
que representasse nosso estilo de pensar o RPG, nossas preferências enquanto
habitantes de Carlópolis e participantes da dinâmica de grupo da oficina,
mediante a cultura que nos atravessou e atravessa e principalmente: ter um jogo
com regras que possibilitem a criação de histórias, com poderes capazes de evoluírem
a níveis cósmicos e o que a imaginação mandar.
Assim nasce o INDIE OSR,
forjado sobre a cultura de jogos japoneses de RPG chamados de JRPG, tais como
Final Fantasy 7, Zelda, Chrono Trigger e muitos outros com sua estética 16
BITS, da nostálgica década de 90, onde o Super Nintendo reinava no imaginário gamer, adicionando a isso a SRD e a OGL do 4D&T, do BESM, do AÇÃO para criar o INDIE OSR.
Dado esse pressuposto, a licença OGL nos permitiu lhe dar um tom minimalista
para tudo isso e rodar nos quartos e quintos anos do ensino municipal de Carlópolis no Paraná, uma
versão mais simples e mais poderosa ao mesmo tempo. Uma versão minimalista, de
todas as regras e mecânicas que "EU" mais gosto e que possa ser feita em formato
independente, autoral, manual e por mim, com base na jogatina diária e suas necessidades.
A fanzine pode ser uma publicação oficial
ou não, produzida de forma independente ou não, com o objetivo de disseminar
ideias, arte, cultura e informações em geral. Porém atualmente existe uma união
mais agridoce e perfeita: a de jogos OSR em FANZINES. Com um calibre de
liberdade do tamanho da criatividade de cada um, e no nosso caso, a de um jogo
que tenha como base anime e mangá, mas também muito do medieval ocidental da 5E.
Dito isto, o INDIE OSR será
criado ao longo desta oficina e balanceado até final do ano, com diversas
FANZINES sendo produzidas por todas as participantes e compartilhadas nos
canais oficiais da INDIE e ao final de 2022, teremos material suficiente para
lançar em 2023, um livro com as produções das três escolas envolvidas, no chamado INDIE OSR VOL. 0 - TOKUSATSU, com o E-BOOK disponibilizado gratuitamente em todos os canais da INDIE, para download e neste blog.
Muito XP (Pontos de
Experiência) foram acumulados através dos canais de RPG do Mestre Horos, DM
Quiral, Tarcísio Lucas, Joquinhos Hard, que muito nos revelam sobre jogos minimalistas e em
fanzines e ou de "print and play", como também formas de se jogar solo, como o próprio Gary Gygax sugeriu em seu material conhecido como "Solo Dungeon Adventures". Pensando que após uma pandemia
que necrosou ainda mais o abismo que havia entre as pessoas, imaginar uma
realidade pós-pandemia onde o RPG seria aplicado em escolas municipais de
Carlópolis, era considerar a vida perfeita demais, para não falar sem cabimento. Cogitar voltar a jogar RPG
presencial poderia já ser ousado demais, ainda mais com essa vida toda
abarrotada de compromissos desnecessários. Agora imaginar jogar RPG com alunos
e alunas de três escolas, aí já era pedir demais. E eu pedi isso a Deus. E essa graça eu
recebi, graças ao Felipe Coelho, ex-jogador de RPG da primeira mesa do Multiverso Ovolun, assim como a secretária de educação e cultura Glaucia Kabral e o Lucas Evangelista, que nunca deixou de apresentar ao corpo pedagógico municipal a importância do RPG para as crianças. Agora vamos falar um pouco do início disso tudo. Como eu fiz na
prática.
CENTENAS E CENTENAS DE PARTICIPANTES
Após um contato inicial com
toda a equipe pedagógica, professores e professoras, além de substitutos,
diretoras e o belo time da Secretaria de Educação e Cultura em um treinamento
do COPERJOGO: que é um evento esportivo de jogos cooperativistas; senti uma magia
diferente em tudo aquilo ali. Senti-me emocionado somente por estar ao lado de
tantas professoras, tantas almas sedentas por conhecimento, que compartilham o
que sabem e ensinam uma nova geração com amor e maestria. Estava agraciado demais por estar ali e alguma
coisa dentro de mim mudou. Uma vontade de ser melhor ainda do que já pude ser. Esse desejo se instaurou em mim e os caminhos pelos quais já trilhei me pareceram tão distantes e
equívocos... Além de todas as pessoas que me receberam bem, a Kelly Mariano foi
outro anjo, que como uma verdadeira professora que reconhece talentos em todos os
alunos e alunas, sempre me apoiou, sem falar do Gilmar e da Kamila, que me
permitiram utilizar o violão em nosso curso durante a apresentação deles.
Após apresentar minha proposta
no curso do cooperjogo e me apresentar musicalmente para as mais de cinquenta professoras e professores parti par as escolas. Os
dias posteriores se iniciaram com o ato de eu ir até cada uma das três escolas
municipais participantes: Benedito Rodrigues de Carmargo, José Salles e Joaquim
do Prado, explicando para todas as séries o era o RPG e o que faríamos na OFICINA DE RPG, anotando a quantidade de participantes por sala, além de realizar uma sessão
rápida com os dois últimos da chamada como exemplo.
Iniciei o chamamento através da
Escola Municipal Benedito Rodrigues de Camargo e por medo de não completarmos o
quadro de interessados, oferecemos também a oficina para os alunos e alunas do
1º ciclo, que vai do 1º ao 3º, além dos de 4º e 5º e para meu choque, 606 (seiscentos
e seis) participantes se interessaram, no máximo dois ou três por sala não se
interessavam, ou seja: 10% em média. Após uma reunião decidimos deixarmos o fundamental 1 (1º ao 3º ano) para o ano que vem, pois seria impossível com apenas 4 horas/dia
e duas vezes por semana só na Benedito, atender tal contingente e ainda
realizar uma produção de qualidade antes de quantidade.
Mal consegui dormir com tal
número na cabeça pensando em quantas crianças ficariam de fora e ainda faltavam
duas escolas, alguns obstáculos, mas ver os berros e as expressões de alegria
nas crianças por poderem aprender a jogar e criar jogos de RPG foi indescritível. Tal
experiência me atravessou trazendo um turbilhão de sentimentos conflitantes em
minha mente, a vontade de atender a todos e a incapacidade diante do sucesso da
proposta foi incrível. Acabamos nos focando no fundamental 2 e mesmo assim, sobraram 266
participantes com interesse do 4º e 5º do período da manhã e da tarde. E
desses, teríamos que descobrir quantos seriam os pais e mães que permitiriam que seus
filhos e filhas participassem, como também para todas as outras escolas.
Na Escola Municipal José Salles, com bem menos contingente, o interesse ainda foi grande, totalizando entre o período da manhã e da tarde: 110.
E por fim a Escola Municipal Joaquim do Prado, no distrito rural da Nova Brasília do Itararé, aonde chegamos após um percurso de ônibus escolar amarelo, como em alguns dos meus sonhos sobre eu indo de ônibus escolar amarelo para um universidade sei lá em qual cidade que era. Pulei da cama ás cinco da mahã, para pela primeira vez na minha vida, amanhecer na praça em frente à igreja para ir para escola e não embora de algum bar ou noitada. E após perguntar a todos quem teria interesse na única sala, tivemos 23, mas o que mais me chocou, foi que esse número é quase 100% da única sala a participar de toda escola. Foi a sala que mais reagiu e lidou bem com a oficina de pronto. Uma sala que é formada por um 4º e 5º em conjunto. Levei apenas 26 fichas de inscrição já em formato de FANZINE para os pais poderem entender o formato que os jogos serão publicados, mas montar elas foi bem mais difícil que eu imaginava, mas valeu a pena pegar na mão depois de prontas.
CONFECÇÃO DAS FANZINES/FICHA DE INSCRIÇÃO.
Após imprimir as fichas de
inscrição/fanzine parti para a Nova Brasília do Itararé, aproveitei cada
metro daquela viagem, movida pelo RPG, pelo INDIE OSR, rumo ao
desconhecido caminho rural da Nova Brasília do Itararé. Eu imaginei muito como seria as terras no entorno da escola lendo o livro: “OS
PIONEIROS” da minha avó Helena Ribeiro de Proença, principalmente o primeiro
capítulo. Senti-me mais vivo do que nunca estando dentro do ônibus rumando pela estrada rural, meus olhos repousavam
sobre a bela paisagem de Carlópolis, que terra linda, digna das terras
fantásticas das sagas literárias. O grande astro solar cozinhava a alvorada do horizonte
abóbora lá pelas seis, por detrás das colinas e plantações de eucaliptos, mata nativa e
muitos sítios aqui e acola, além das "plantações" de gado nelore por todos os lados.
Eu via tudo isso e na minha
mente eu imaginava os índios Guaranis descritos no livro "Os Pioneiros", percebendo a chegada
dos “PIONEIROS” e imaginava como haveria de ter sido o choque do confronto inicial, para então voltar a realidade e chegar até o
patrimônio onde tudo começou. Onde a história de Carlópolis começou e lá estava
eu, descendo os degraus da "barriga da baleia" para adentrar a "Caverna Secreta" do
monomito de Joseph Campbell para minha "Provação Máxima".
Após refilar e montar as 26 FANZINES finais das centenas que foram feitas, fui almoçar às 10:00hs, pois da sala dos professores onde eu realizava meu ofício e aguardava para adentrar na última sala de todas as visitas das três escolas, o cheiro que vinha da cozinha me fazia me sentir como um personagem de desenho que flutuava pelo ar atrás do aroma do alimento. Após "matar" quem me "matava", apresentei a proposta e foi um sucesso. Muita interação. Rapidamente se apropriaram das regras e as alteraram, substituindo o dado de seis lados que eu levei pelo “ímpar ou par”, diferente do jeito que eu aprendi na infância, que era “par ou ímpar”. Percebi o idioma português vivo, mudando e se alterando ao passar de algumas décadas, como também relatado no livro “OS PIONEIROS”, desculpa falar tanto dele, mas este além de tudo é também, entre outras coisas, um trabalho antropológico etnográfico urbano e rural. FANZINES entregues, voltamos para a cidade e fui até a Secretaria, após o almoço, imprimir o material do dia seguinte.
PRODUÇÃO DAS FANZINES
Este momento foi mágico no meu dia também. Pela primeira vez realizei o sonho de produzir as FANZINES com minhas próprias mãos, utilizando uma guilhotina, com todas as marcações em polegadas, os formatos e tamanhos de papel, da mesma forma como eu via nos vídeos do Youtube. Olha... Espetacular! Eu olhava ao meu redor e via onde meu jogo de RPG: o INDIE OSR havia me trazido. Me sentia agradecido por todo apoio que meus pais sempre me deram comprando todos os livros que sempre precisei: todos! Obrigado mãe, obrigado pai, amo vocês. Eu estava na Secretaria de Educação e Cultura recebendo todo o apoio para minha OFICINA DE RPG. Para muitos não é nada, mas para mim que foi expulso do maternal, vivi mais na diretoria por conta de meu TDAH até reprovar a 6ª série por falta, ter que trocar de escola e de cidade, até abandonar o terceiro ano do ensino médio, faltando três meses para o final do curso, por não ter uma perspectiva em relação à vida na época, a não ser uma vontade de trabalhar com o RPG para o resto da vida, era a realização de um sonho. Como eu havia dito anteriormente com o Felipe Coelho: “O sonho se realizou!”.
Após
a empolgação, chegou um tolete de impressão de FANZINE para eu cortar, foi
então que passou a adrenalina. E quando "mascou" a primeira cortada na guilhotina, já mordi o
lábio com força, apertei um olho e foquei para fazer certo, com medo de cortar
o dedo e quase cortei toda hora, fui refilando todo material. Foi ótimo fazer algo novo pela primeira vez
novamente, ainda mais algo que já me via fazendo: FANZINES! E elas não paravam
e não acabavam nunca, pois somando as três escolas, eu tinha que entregar 399:
trezentos e noventa e nove fichas de inscrição. Esse é o total que assumi a
responsabilidade de ensinar a jogar RPG de mesa, através da oficina e ainda
permitir que elas criassem os jogos delas, como quisessem. E como dito
anteriormente, ainda teríamos que ver quantos iriam realmente participar ou quantas fichas preenchidas iriam voltar e foram exatas 100 fichas preenchidas.
Firme na empreita de cortar,
refilar, cortar de novo, baixa a guilhotina, girar o papel, girar de novo, cortar,
fui filosofando no meu fantástico mundo interior e quando percebi estava mais
rápido que o normal, olhava no celular e montanha de FANZINES para cortar ia
diminuindo e logo aumentava. O Carlos Manoel ia imprimindo e trazendo, mas no
final, terminei ates do imaginado que até ele se assustou. Mexer com a
guilhotina não era fácil e eu estava indo muito bem.
Tão
bem que quando cheguei em meu domicílio, que por sinal é divisa de muro com a
biblioteca e a Secretaria de Educação e Cultura, na avenida mais linda e
verdejante da cidade, vim editar este texto para publicar ainda fresco, todas
as impressões que Carlópolis me proporcionou nesta data, alguma coisa errada não estava certa. Até que alguém me
chama no portão, assustado vou ver... Era um dos motoristas da Secretaria de
Educação com um calhamaço de folhas nas mãos: MAIS FANZINES! Vou até lá e descubro
que ficou um tanto bem bom na impressora e isso explicava a minha velocidade: o
TDAH. Após me culpar e me sentir apressado e enganado, descubro que realmente eu estava certo, o volume extra foi impresso erroneamente, pois ninguém mais sabia o que estávamos fazendo, foram muitas impressões.
Sendo assim, até a próxima, se eu lembrar de registrar tudo por aqui.







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